1 - Ancilóstomo - Causa a ancilostomose, também conhecida como amarelão, é uma doença característica de países subdesenvolvidos, onde as condições de saneamento são precárias.
Causadores: Nematóides (nematelmintos) chamados: Ancylostoma duodenale e Necator americanus, e seus nomes populares são Necator (matador) e Ancilóstomo (Gr.: ankylos= gancho + stoma= boca).
As fêmeas do Ancilóstomo, maiores que os machos, medem aproximadamente 12mm de comprimento e são maiores que as do Necátor. Na boca apresentam ganchos ou placas cortantes que os adaptam a raspar internamente a parede do intestino delgado; os vermes alimentam-se do sangue que flui dessas lesões.
Esses parasitas seguem um ciclo do tipo fecal-cutâneo, e a infecção acontece quando um indivíduo mantém a pele (pés ou mãos) em contado com o solo úmido contaminado com fezes de um hospedeiro anterior, e as larvas livres penetram em sua pele e entram na corrente sanguínea, passam pelo coração e através dos alvéolos pulmonares passam ao esôfago e, adultos, se depositam no intestino onde se reproduzem, produzindo ovos que repetirão o ciclo se o hospedeiro defecar no ambiente.
Sintomas: Nos primeiros meses, os sintomas são como de bronquite ou pneumonia, pois os parasitas estão alojados nos pulmões, e poder até ser eliminadas no escarro e engolidas com as secreções. A partir das lesões que provocam na mucosa intestinal, provoca-se um aumento do peristaltismo (movimento intestinal), diarréias, dores abdominais, perda de apetite, náuseas e vômitos. Pode-se verificar anemia ferropriva, onde o doente fica muito pálido tem dores de cabeça e musculares. As crianças perdem peso e estatura, baixo rendimento escolar e atraso no desenvolvimento psíquico.
Profilaxia: Melhoras no saneamento básico, como a construção de fossas e esgotos, uso de calçados e o tratamento de doentes, para evitar a dispersão do parasita.
2 - Áscaris Lumbricóides: verme asquelminto, parasita causador da ascaridíase.
Popularmente conhecida como lombriga, a ascaridíase é uma parasitose causada pelo verme nemátode Ascaris lumbricoides.
Conhecendo a ascaridíase
Este parasita de reprodução sexuada pode chegar até 40 cm de comprimento. Geralmente a fêmea possui tamanho bastante superior ao macho.
Seus ovos são “microscópicos” e costumam sair junto às fezes de seu hospedeiro. Seu desenvolvimento se dá em ambientes quentes e úmidos. O solo de países de clima tropical é o tipo de ambiente considerado ideal ao seu desenvolvimento.
A contaminação por este parasita ocorre através do consumo de água ou alimentos infectados por seus ovos.
Depois de ingeridas, as larvas são liberadas no intestino delgado e alcançam o sistema circulatório, chegando ao fígado, onde crescem num período inferior a uma semana. Após isso, elas retornam a corrente sanguínea passando pelo coração e pulmões.
Dentro dos pulmões, elas absorvem mais nutrientes e oxigênio em abundância para garantir seu crescimento. Quando crescem demasiadamente para continuarem dentro dos alvéolos pulmonares, estas larvas sobem em direção a faringe, onde são em sua maioria engolidas.
Através do tubo digestivo elas alcançam o estômago e chegam ao local onde completam o seu desenvolvimento até a fase adulta: o intestino delgado.
Durante seu período de permanência dentro do intestino delgado de seu hospedeiro, ela se reproduzirá e liberará novos ovos que darão início a toda a trajetória já explicada.
A higiene pessoal e o saneamento básico são importantes fatores de prevenção a infecção por este parasita. Medidas de higiene durante o preparo de alimentos, principalmente com relação às verduras, também são medidas indispensáveis. Na foto abaixo um adolescente contaminado expele vermes.

3 - Guinea Worm (Dracunculus medinensis), também chamado de verme da Guiné ou filéria de mediana. A contaminação é causada principalmente com a ingestão de água contaminada com os ovos do parasita. Causa infecções, sobretudo nos pés e nas pernas. Os sintomas incluem prurido, náuseas, vômitos, diarréia, ataques de asma e dores terríveis quando o verme é expelido, como na foto abaixo.
4 - Tapeworm, também conhecida como Taenia, Tênia ou Solitária. Pode ser encontrada na carne suína (tênia solium) ou bovina (tênia saginata). A contaminação em ambos os casos pode se dar com a ingestão de carne crua ou mal passada. A tênia saginata causa somente infecção intestinal com o verme adulto em humanos.
Os humanos são os únicos hospedeiros definitivos de Taenia saginata. O verme adulto (que pode chegar a 25 metros de comprimento) reside no intestino delgado onde se fixa por uma estrutura chamada escólex. Produzem proglotes (cada verme tem de 1.000 a 2.000 proglotes) que se engravidam, destacam-se do verme e migram para o ânus ou saem com as fezes (cerca de 6 por dia). Cada proglote grávida contém de 80.000 a 100.000 ovos que são liberados depois que esta estrutura se destaca do corpo do verme e saem com as fezes. Os ovos podem sobreviver por meses até anos no ambiente.
A ingestão de vegetação contaminada pelos ovos (ou proglotes) infesta o hospedeiro intermediário (bovinos e outros herbívoros). No intestino do animal, os ovos liberam a oncosfera, que evagina, invade a parede intestinal e migra para os músculos estriados, onde se desenvolve no cisticerco. O cisticerco pode sobreviver por muitos anos no animal. A ingestão de carne crua ou mal passada com cisticerco infesta os humanos. No intestino humano, o cisticerco se desenvolve 2 meses depois no verme adulto, que pode sobreviver por mais de 30 anos.
Já a tênia solium é mais perigosa. A cisticercose suína é uma doença parasitária originada a partir da ingestão de ovos de Taenia solium, cujas formas adultas têm o homem como hospedeiro final. Normalmente, os suínos apresentam apenas a forma larval (Cysticercus cellulosae). O quadro clínico da teníase no homem pode acarretar dor abdominal, anorexia e outras manifestações gastrointestinais, sem provocar conseqüências mais sérias.
A teníase, no entanto, pode conduzir à cisticercose humana, cuja localização cerebral é a sua manifestação mais grave, podendo levar o indivíduo à morte. A infecção pode permanecer assintomática durante muitos anos e nunca vir a se manifestar. Nas formas cerebrais a sintomatologia pode iniciar-se por crises convulsivas, o quadro clínico tende a agravar-se à medida que aumente a hipertensão intercraniana, ou na dependência das estruturas acometidas, evoluindo para meningoencefalite e distúrbios de comportamento.
O homem pode adquirir cisticercose a partir da ingestão de ovos de T. solium, presentes em alimentos contaminados com matéria fecal de origem humana, sobretudo verduras cruas, ou por auto-infecção, através das mãos e roupas contaminadas com a próprias fezes.
5 - Wuchereria bancrofti ou filária - Há vários tipos de filárias, vermes fininhos que parasitam os sistemas circulatório e linfático, os músculos e as cavidades serosas. W. bancrofti é a filária que causa a doença conhecida como elefantíase. O verme adulto mora nos gânglios linfáticos dos humanos, e a fêmea produz e libera no sangue microfilárias, que são embriões avançados. Quando algum mosquito transmissor pica o hospedeiro ingere as microfilárias, que dentro dele se transformam em larvas infectantes e invadem outro humano através da pele quando o mosquito pousa. Entram no sistema linfático, vão para os nódulos e repetem o ciclo.
Os principais mosquitos transmissores são os anofelinos, também vetores da malária, e o Culex pipiens fatigans. O diagnóstico é feito através de exame de sangue, colhido à noite.
Infestações repetidas podem bloquear os dutos e gânglios linfáticos, levando a acúmulo de linfa e edema dos tecidos. Os vermes adultos tendem a preferir os gânglios da virilha, então a doença é freqüentemente marcada por grande desfiguração dos genitais e das pernas.
O parasita Brugia malayi é muito semelhante à Wuchereria bancrofti e também causa elefantíase. A ocorrência maior da doença é na África central e no sul e sudeste da Ásia.
Embora a maioria dos vermes que atacam o homem surja em países subdesenvolvidos, onde as condições de higiene e saúde são bastante precárias, há casos terríveis de infecção por vermes em países desenvolvidos, como o impressionante caso que aconteceu nos EUA. Segundo informações obtidas no site Snops, ao atender um leve acidente de trânsito, um policial verificou que um senhor de 75 anos exibia uma imensa abertura no cérebro. Imediatamente, encaminhou-o ao Hospital da Universidade de Stanford (onde as fotografias abaixo foram tiradas). Os exames preliminares revelaram uma importante infestação por larva da mosca verde (Phaenicia sericata). Sem saber o que fazer, os médicos aplicaram antibióticos intravenosos utilizados no combate à meningite, além de tentarem retirar as larvas e ovos mediante sucção, raspagem e aplicação de soluções diversas.

A biópsia do crâneo revelou um raro tipo de câncer, o angiosarcoma, para o qual a cirurgia não era indicada. O paciente foi então removido da UTI para um quarto comum, onde recebeu tratamento paliativo até sua morte, três meses depois.
Para aqueles que se interessam pelo assunto e gostariam de compreender melhor como evitar estas e outras contaminações, recomendo o livro abaixo. Maiores informações aqui.